Representantes de países que integram o Mercosul firmaram um acordo para implementar propostas de trabalho conjunto nas áreas de tecnologia da informação, software livre e inclusão digital.
Em encontro realizado no Rio de Janeiro duas semanas atrás, representantes do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela e integrantes da Unesco debateram uma agenda para fomentar o desenvolvimento do tema nessas regiões.
Entre outras tarefas, os países se propuseram a desenvolver soluções de alfabetização digital e apoio à capacitação de profissionais em TI; trocar experiências e transferir tecnologias de governo eletrônico. Esta última iniciativa tem como meta melhorar a eficiência e elevar a oferta de serviços públicos, reduzir custos e aumentar a transparência da administração.
A carta aberta também esclarece que os países se comprometeram a estabelecer uma rede de apoio mútuo para a difusão e implementação, em âmbito regional, de soluções de inclusão digital, além de promover o desenvolvimento de mecanismos de interoperabilidade baseados nos padrões abertos.
“O Mercosul está forte no compromisso com o software livre. Todos os países que estiveram presentes são veementes na necessidade de avançarmos nisso”, diz Sérgio Rosa, diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e um dos coordenadores do encontro.
Segundo o executivo, entre as iniciativas de inclusão digital também está a discussão cooperada com esses países para a iniciativa Um Computador por Aluno (UCA). Assim como o Brasil, nesse momento, a Argentina também está na fase de desenvolvimento do programa.
“A sinergia que existe no continente em cima desses temas mostra que a região pode ter uma autonomia tecnológica. A proposta desses encontros é fortalecer a relação Sul-Sul que está nas diretrizes da política externa brasileira”, comenta.
Força em software
Também na primeira quinzena de fevereiro, esses países se uniram ao Equador, República Dominicana e México para avançar nas discussões sobre software na região. A idéia para os próximos meses é identificar oportunidades de negócios em desenvolvimento de software e prestação de serviços.
Para avançar nos trabalhos conjuntos, cada país deverá, primeiramente, atualizar seus diagnósticos sobre sua própria indústria de software, disseminar tecnologias que promovam a convergência digital e avaliar custos de transição e migração entre vários tipos de software. Posteriormente, cada país deverá fazer um relatório consolidado sobre o diagnóstico da indústria de software dos países, além de elaborar um documento de orientação para que as empresas participantes sobre as oportunidades identificadas.
Outros objetivos incluem a formação de inteligência na produção de software – estimulando a criação de centros especializados e apoiar programas de intercâmbio tecnológico – e promover o uso de software na administração pública orientado a interoperabilidade, inclusão digital e prestação de serviços.
Fomentar a independência tecnológica dos países participantes em software livre também é um dos objetivos. Entre as tarefas propostas estão a identificação de novas oportunidades criadas com este modelo, promover o intercâmbio de software e estabelecer ações de cooperação para ampliar a participação dos países no mercado de código aberto.
O Fórum Internacional de Software Livre, que acontece em Porto Alegre, em abril, deverá condensar as discussões e as ações tomadas até então.
“Já temos trabalho agendado com o Paraguai e com o Equador, que acaba de trocar o governo e está firme na proposição de software livre. Vamos compartilhar o Carteiro – software de correio eletrônico em código aberto desenvolvido pelo Serpro – e logo seguir a estratégia também com o Equador”, aponta Sérgio Rosa.
Embora neste momento o Brasil aparecer mais como um doador de tecnologia do que um receptor entre os países do grupo justamente em virtude de seu nível de desenvolvimento, o executivo ressalta que a situação deve se reverter em um quadro favorável posteriormente.
“É verdadeiro o fato de que, neste momento, o Brasil tem doado mais do que recebido. Mas esse é o momento de estabelecer relações de aproximação, para em seguida, seguir para relações comerciais. Posteriormente devemos fazer reuniões entre empresários brasileiros e de vários países e aí o Brasil mostrará seu potencial vendedor. Neste momento o governo tem cedido mais, mas isso propicia um ambiente favorável posterior para os negócios”, conclui.
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