segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Lula cede em acordos e Uruguai diz que fica no Mercosul

COLÔNIA DO SACRAMENTO, Uruguai - Os presidentes do Brasil e Uruguai firmaram nesta segunda-feira, 26, acordos para avançar negociações e fechar programas de comércio e cooperação energética, um passo exigido com insistência pelo governo do uruguaio Tabaré Vázquez. Diante das concessões do presidente brasileiro, Vázquez disse que o Uruguai se manterá no Mercosul.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao país nesta segunda-feira para discutir os pedidos de Vázquez pela abertura de mais mercados ao Uruguai, mas também para expressar a posição contrária do Brasil e do Mercosul a respeito de acordos comerciais fora do bloco.

A visita de Lula ao Uruguai acontece dez dias antes da chegada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, país com o qual Montevidéu analisa a possível implantação de um Tratado de Livre Comércio (TLC).

Os documentos assinados pelos dois presidentes consistem em um memorando de entendimento para a promoção de comércio e investimentos, um protocolo de intenções sobre um programa de cooperação na área de biocombustíveis e um protocolo adicional para a criação de uma comissão mista permanente para energia e minério. Além disso, ambos se comprometeram a reconstruir a ponte Barão de Mauá e levantar outra sobre o rio Yaguarón, as duas na fronteira.

Lula conseguiu arrancar declarações públicas do governo de Tabaré Vázquez de que o Uruguai vai se manter no Mercosul. Após uma reunião de trabalho na Estância Anchorena, em Colônia, à margem do rio da Prata, o ministro da Economia, Danilo Astori, disse que o País vai seguir aprofundando a possibilidade de um acordo bilateral com os Estados Unidos, mas dentro das normas do Mercosul, o que permite algumas concessões, mas não a ponto de levar os dois países a um Tratado de Livre Comércio.

Antes do feriado do carnaval, o presidente da Bolívia, Evo Morales, veio ao País e Lula também cedeu a suas exigências. Quebrou a resistência de nove meses do governo brasileiro em reajustar o preço do gás natural boliviano exportado para a Petrobras e concedeu o aumento pedido pelo país vizinho.

Queixas do Uruguai

Uruguai e Paraguai, os dois membros com as menores economias do Mercosul, haviam mostrado descontentamento com os parceiros maiores - Argentina, Brasil e Venezuela - a respeito das profundas assimetrias do bloco.

As queixas do Uruguai são conhecidas, se avolumam há mais de quatro anos e estão estampadas na balança comercial bilateral. Em 1998, o Uruguai exportou para o Brasil US$ 1,42 bilhão - a maior cifra histórica. O Brasil importou US$ 880,6 milhões em produtos uruguaios, o que rendeu ao vizinho um superávit de US$ 161,5 milhões.

Desde então, as compras brasileiras despencaram. Só voltaram a crescer em 2006, quando chegaram a US$ 618,2 milhões. O saldo comercial, entretanto, foi negativo em US$ 387,9 milhões por conta do recorde de US$ 1,006 bilhão em exportação brasileira ao vizinho.

Os uruguaios queixam-se de legislações do Rio Grande do Sul e de controles federais, que atrapalham exportações de arroz e outros itens para o Brasil. Alegam que os órgãos reguladores brasileiros atuam em duplicidade e reclamam da tributação sobre serviços prestados no exterior - fato que inviabiliza o conserto, em estaleiros uruguaios, de navios da Petrobrás.

Segundo o presidente brasileiro, todos os membros do Mercosul devem estar satisfeitos com os benefícios e vantagens da união dos países sul-americanos, segundo disse no último domingo em entrevista a um jornal uruguaio.

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