quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

MORALES MINIMIZA REAÇÃO DE URIBE EM CÚPULA DO MERCOSUL

O presidente boliviano, Evo Morales, minimizou hoje o incômodo de seu colega Alvaro Uribe por uma crítica que fez na recente cúpula do Mercosul, no Brasil, à política econômica da Colômbia.
"Entendo que a reação de Uribe foi desproporcional às minhas palavras, mas não vou responder e nem me referir a ela", disse hoje Morales ao ser questionado sobre a possível repercussão para o comércio boliviano da soja de um eventual esfriamento das relações com a Colômbia.
Ao contrário, o presidente foi muito explícito ao explicar o comentário que fez na reunião do Mercosul no Rio de Janeiro, que motivou o incômodo de Uribe e que obrigou à intervenção até do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
"Não estamos em conflito com a Colômbia. Eu tinha a obrigação de comentar a verdade em uma reunião como a do Mercosul, na qual se busca solucionar problemas comuns", disse hoje Morales em uma reunião de imprensa com correspondentes.
Morales afirmou que a sua declaração foi motivada "porque queremos um Mercosul para o povo e não para o império. Por isso comentei que os países que não estão alinhados com o império cresceram mais dos que praticam políticas neoliberais".
Nesse contexto, lembrou que o primeiro lugar no crescimento econômico é ocupado por Cuba, "com 12,5% no último ano"; o segundo pela Argentina que "depois de um desastre econômico como o que viveu, agora é vice"; e o terceiro pela Venezuela
"Todos estes países romperam com os organismos internacionais e não aplicam a política neoliberal. Limitei-me a dizer isso mas Uribe se aborreceu, mesmo reconhecendo que na Colômbia não há crescimento e que o país tem déficit", acrescentou.
Morales declarou que depois da reunião do Rio de Janeiro conversou com Uribe e acertaram tratar o tema da soja dentro da Comunidade Andina das Nações (CAN).
A Colômbia é o principal comprador de soja da Bolívia, cujos produtores temem perder esse mercado depois do governo colombiano ter assinado um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos que, com base nele, poderia vender-lhe esse produto em condições mais competitivas do que as dos produtores bolivianos.

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