O Mercosul começou a discutir na quinta-feira o provável ingresso da Bolívia na união aduaneira e medidas para corrigir as assimetrias que prejudicam os sócios menores, em um momento em que o bloco luta para superar graves problemas.
Ao iniciar no Rio de Janeiro uma reunião de dois dias do Conselho de Mercado Comum (CMC), que analisará esses temas, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, rechaçou as versões de que o Mercosul está em crise.
O ministro também pareceu aludir aos críticos que dizem que o ingresso da Venezuela politizou o bloco por meio do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que sustenta que está criando um socialismo do século 21.
O próprio Chávez, que pela primeira vez participará de uma cúpula do Mercosul, se referiu diretamente ao tema.
"Os jornais estão dizendo que Chávez está vindo injetar ideologia ao Mercosul, envenená-lo, contaminá-lo", disse o presidente venezuelano a jornalistas ao chegar ao Rio de Janeiro. "Estamos aqui para descontaminá-lo do neoliberalismo."
Amorim, por sua vez, afirmou que "o Mercosul é hoje uma realidade geopolítica e geoeconômica, não há como pensar na América Latina e na América do Sul sem pensar no Mercosul".
Ele acrescentou que a "Venezuela traz um apoio muito forte, muito importante para o Mercosul, não somente pela importância do país, pela importância dos movimentos sociais que estão ocorrendo lá".
"O ingresso da Venezuela... dá pela primeira vez uma percepção clara de que o Mercosul não é somente um acordo do Cone Sul e sim de toda América do Sul."
O bloco é formado atualmente por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, e tem como países associados Bolívia, Chile, Equador, Peru e Colômbia.
O presidente boliviano, Evo Morales, amigo de Chávez e um indígena nacionalista, pediu formalmente o ingresso de seu país como membro pleno do bloco.
Também se espera uma solicitação similar do novo presidente do Equador, Rafael Correa, um declarado socialista.
ARGENTINA E URUGUAI EM DURA DISPUTA
A cúpula reúne também membros do Mercosul com sérios litígios, como Argentina e Uruguai em torno da construção de uma fábrica de celulose em território uruguaio, ao que se opõe seu vizinho.
Os dois países levaram o caso à Corte Internacional de Justiça de Haia.
Paraguai e Uruguai, afetados pelas assimetrias do grupo, pressionam para obter autorização para subscrever acordos comerciais com países estrangeiros, insinuando sua eventual saída do bloco.
Amorim, no entanto, negou que a união aduaneira esteja em crise.
"Quando perguntam se o Mercosul está em crise e o que faríamos para salvá-lo, eu diria que o Mercosul não é mais propriedade dos governos... hoje é da sociedade... são os povos do Mercosul que não deixarão que este processo fracasse."
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