sábado, 3 de fevereiro de 2007

A tumultuada performance do Mercosul

Com uma deplorável avaliação, vimos assistindo às contínuas dissonâncias entre membros do acima citado bloco econômico. As comuns relações comerciais parecem desenvolver-se “a trancos e barrancos”, especialmente entre Argentina e Brasil. É verdade que o intercâmbio entre ambos tem sido incrementado. Todavia, a primeira acaba de entrar com um processo contra nosso país na OMC. Há alguns meses abordávamos a matéria sob a epígrafe “Mercosul, a Argentina é parceira polêmica”. Por sua vez, o Uruguai, afora pendengas que mantém com a Argentina, vem ameaçando abandonar o grupo do Cone Sul. O Paraguai, igualmente, vem expressando sua insatisfação. Enquanto isso, o nosso presidente, que no momento presido o bloco, sempre sorridente, considera que tudo vai indo “às mil maravilhas”. Contudo, além da existência dessas contendas, houve ainda a adesão dos presidentes “populistas e socialistas” Evo Morales e, notadamente (já confirmado), o agressivo Hugo Chávez, da Bolívia e Venezuela, respectivamente. Este último, segundo se acredita, tem pretensões de se transformar em novo líder do continente sulamericano, graças a suas preciosas fontes petrolíferas.
Faz cerca de um mês que a respeitável “Gazeta Mercantil”, de São Paulo, especializada em assuntos econômico-financeiros, ao referir-se ao problema, iniciou assim: “O funeral do Mercosul ficará bem mais animado com a participação do boliviano Evo Morales, discípulo de Hugo Chávez que, confessadamente nele entrou para implodi-lo”. O jornal prossegue com sua previsão, para breve, da “queima dos Tratados de Assunção e de Ouro Preto”, visto que as novas adesões tenderão a criar novo modelo de negociações na região, de “inspiração bolivariana”. Ocorrerá influência ideológica, com tendência notória de reestatização econômica. Tal perspectiva, se for concretizada, obviamente obstaculizaria os objetivos pioneiros do Mercosul, em sua realização de intercâmbio, com incorporação ao rol dos mercados globais.
Pode-se duvidar, até, que dita idéia venha a ser posta em prática, em sua plenitude, seja no tocante à Alça, seja tolhendo os passos rumo a outros blocos. Como sabemos, as idéias marxistas vêm sendo encaradas, de modo geral, como arcaicas e ultrapassadas. Também o cada vez mais acirrado “antiamericanismo”, especialmente por parte da Venezuela, logicamente não favorecerá o importante intercâmbio com nosso maior comprador. É lamentável que o “chavismo” vem tendo novos discípulos, como Daniel Ortega, da Nicarágua, e Rafael Corrêa, do Equador. Hugo Chávez vem liderando uma cruzada que pode implicar em ditaduras esquerdistas, afetando cada vez mais a credibilidade, e em conseqüência a competitividade das nações sulamericanas perante povos considerados do primeiro mundo. Para favorecer um julgamento da problemática, oferecemos os seguintes conceitos da “Gazeta”: “Durante a conferência de cúpula da Comunidade Sulamericana de Nações, em Cochabamba (Bolívia), Hugo Chávez defendeu o enterro do Mercosul, por ele descrito como entidade inútil”. Não fosse escrito na renomada “Gazeta Mercantil”, poderia duvidar-se de tamanho disparate, por ser praticamente inacreditável. O que de bom pode se esperar deste novo parceiro de nosso bloco econômico regional?

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