quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

MERCOSUL: AUTONOMIA E TENSÃO COM O BRASIL

A incorporação da Venezuela ao Mercosul transforma o bloco em uma das economias mais poderosas da América Latina e em governo disposto a privilegiar uma maior autonomia da América do Sul, apesar de que isso pode gerar "tensão" por causa da disputa da liderança com o Brasil, afirmaram analistas.
"Acredito que a entrada da Venezuela no Mercosul é muito positiva porque há sinal de emancipação, aplicação de dinheiro e, principalmente, começa a resolver o problema do financiamento a longo prazo", disse Daniel García Delgado à ANSA.
A Venezuela ingressou ao Mercosul em 2006 e entre seus projetos estão a criação de um Banco do Sul e a construção de um Gasoduto do Sul, obra que fornecerá gás venezuelano ao Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Durante a 32ª Cúpula do Mercosul, realizada no Rio de Janeiro nos dias 18 e 19 de janeiro, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram um acordo para estudos de viabilidade técnica, ambiental e econômica referente à primeira parte do Gasoduto do Sul.
Segundo Delgado, a Venezuela "acentua a visão social e política do Mercosul que os governos de Lula e de (Néstor) Kirchner têm".
"Ou seja, um critério de um bloco com maior autonomia, que privilegia o desenvolvimento, a distribuição da renda e a orientação sul-sul", explicou.
Entretanto, para o cientista político Juan Bautista Lucca, a liderança brasileira no Mercosul ficará tensa com a entrada da Venezuela "já que esse novo país tem um papel semelhante ao do Brasil".
"Caracas se projeta em termos de potência internacional, principalmente por causa dos preços atuais do petróleo, e inclusive sustentado pelo posicionamento ideológico e político de conflito com Washington que (o presidente Hugo) Chávez mantém", disse o ex-catedrático do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas de Porto Alegre.
O historiador argentino Juan Carlos Korol desconsiderou que a presença da Venezuela no Mercosul possa gerar tensões.
"Lula é uma figura muito moderadora no bloco. Não porque ele esteja mais comportado, mas simplesmente porque o Brasil é uma economia muito importante no mundo e me parece que com esse país não se brinca. Nesse sentido, não acredito que Chávez irá gerar tensões no Mercosul porque não acredito que seus sócios permitam isso", afirmou Korol.
"Não me parece que Chávez seja um senhor enlouquecido. Acredito que conhece seus limites e sabe até onde pode se chegar. Quando muita gente mostra receio (por causa da entrada da Venezuela ao bloco regional, ndr) é porque também é uma maneira de criticá-lo", concluiu.(ANSA)

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