Brasília, 15 fev (EFE).- O Brasil reduzirá em 100% as tarifas sobre produtos importados da Bolívia e proporá a seus parceiros do Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) a adoção da mesma medida, anunciou hoje o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
"O Brasil apoiará o esforço da Bolívia para se industrializar e deixar de depender apenas de suas riquezas naturais", disse Lula em seu pronunciamento no Palácio do Planalto.
"Tomamos a decisão de eliminar todos os impedimentos para que o Brasil possa absorver as importações bolivianas que estão ameaçadas pelo corte das preferências comerciais que hoje são oferecidas pelos países desenvolvidos", disse Lula.
"Contemplamos especialmente têxteis e vestuário, setores que garantam emprego para muitos bolivianos", explicou Lula após a assinatura de um comunicado conjunto com seu colega boliviano, Evo Morales, que encerrou hoje uma visita de dois dias ao Brasil.
Lula afirmou que, em seu encontro com Morales, ratificou ao boliviano o interesse brasileiro em aumentar e diversificar o comércio bilateral.
"O Brasil proporá, no âmbito do Mercosul, a eliminação total das tarifas sobre produtos bolivianos, abrindo caminho para a entrada da Bolívia como membro pleno do bloco", afirmou.
Na declaração conjunta, divulgada após a reunião, Lula afirmou que o Brasil pode se transformar em uma alternativa para os produtos agrícolas e industriais bolivianos.
Além disso, esclareceu que seu Governo se comprometeu a propor a seus parceiros do bloco a concessão de 100% de margem de preferência, no contexto do chamado acordo de complementação econômica Mercosul-Bolívia.
O governante brasileiro também decidiu pedir ao Paraguai que, como presidente temporário do bloco, convoque o mais rápido possível o grupo de trabalho que definirá as condições técnicas para a incorporação da Bolívia ao Mercosul, destaca o documento.
Lula disse que a visita de Morales foi proveitosa para as relações bilaterais, além do tema do gás natural, sobre o qual os dois Governos chegaram a um acordo que permite que a Bolívia receba um valor adicional pelo combustível que vende ao Brasil.
"Temos condições de ir muito além", manifestou o presidente brasileiro.
A declaração conjunta cita um convênio para a construção de uma ponte internacional com recursos brasileiros, que unirá as cidades de Guajará-Mirim, em Rondônia, e Guayará-Mirim, no departamento boliviano de Beni, para cumprir acordos anteriores.
Os presidentes também concordaram em continuar a examinar outros mecanismos de integração física bilateral, como estradas e pontes, segundo o documento conjunto.
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