quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Ministro das Relações Exteriores do Brasil defende tratamento diferenciado para a Bolívia

Rio de Janeiro - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, reiterou nesta quinta-feira (18) que a Bolívia deve ter um tratamento diferenciado nas relações comerciais com os outros países membros do Mercosul, caso entre no bloco. Celso Amorim ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Ele discorda da tese de que o Mercosul possa ser comprometido com as crises internas.

O ministro comentou, por exemplo, a disputa entre Brasil e Argentina. Na semana passada, a Argentina foi à Organização Mundial do Comércio (OMC) por uma queixa contra o Brasil.

“Isso é normal. O Brasil já fez, a Argentina está fazendo”, disse. “O remédio para esses problemas, como tenho dito, não é ter menos Mercosul, é ter mais Mercosul. Não tem que dramatizar isso. O Canadá está entrando com ação contra os Estados Unidos sobre o milho e eles são membros do Nafta. Vamos deixar de ver essas coisas de forma dramática. Conflitos comerciais são normais”, disse.

Amorim falou sobre a possibilidade de tratamento diferenciado para a Bolívia no bloco. “O tratamento diferenciado já existe. O Paraguai, Uruguai já têm tratamento diferenciado dentro do Mercosul. De modo que, se a Bolívia entrar no bloco, obviamente terá que ter um tratamento diferenciado”, disse.

Também falou sobre os aspectos políticos do bloco. “O Mercosul não é um projeto só economicista. Temos interesse geopolítico na estabilidade da América do Sul. O Brasil tem que ter relações fortes com os seus vizinhos. O Brasil tem dez vizinhos na América do Sul. Por isso tratamos o Mercosul não exclusivamente sob o ângulo comercial, embora tenha sido muito bem sucedido sob este ângulo, mas também tratamos sob um ângulo político.”

Ontem, em declarações à imprensa, o ministro disse que a economia boliviana é muito menor que a brasileira e, portanto, deve ser tratada dessa forma. “A América do Sul, em especial o Brasil, tem que procurar, sim, oferecer possibilidades alternativas à Bolívia, sem estar fazendo exigências que sejam desnecessárias. O PIB [Produto Interno Bruto] per capita da Bolívia equivale a um quinto do brasileiro. É um país que depende, exclusivamente, de recursos naturais”, defendeu.

Em entrevista coletiva, o secretário de Relações Internacionais da Argentina, Alfredo Chiaradia, disse, quarta-feira, que tanto a Bolívia quanto o Equador têm direito a pleitear o ingresso no Mercosul. Mas, segundo ele, todos os membros do bloco devem discutir a entrada desses países e a negociação sobre a oferta de condições especiais no comércio com outras nações.

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